Denúncia da mulher de Admar Gonzaga (TSE) caminha no Supremo

Admar Gonzaga e Elida Gonzaga

Novidades no inquérito que investiga se o ministro Admar Gonzaga, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) teria de fato agredido a esposa.

Nesta última 5ª feira (8.ago) o ministro Celso de Mello, responsável pelo caso, acatou a um pedido do PRG Rodrigo Janot, e determinou que a Polícia Civil de Brasília encaminhasse o exame de corpo de delito ao Órgão, para que fosse juntado ao inquérito.

No dia em que Elida Souza Matos denunciou o marido por violência doméstica, na 1ª Delegacia da Mulher de Brasília, ela foi encaminhada a polícia cientifica, no Setor Sudoeste, onde passou por exames para determinar a causa de um machucado que tinha no olho. Ela acusou o marido de ser o autor.

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O caso ocorreu em junho e Elida chegou a retirar a queixa, mas como frisa Janot, “a jurisprudência estabelece que a retratação da vítima não tem efeito sobre a notícia da violência doméstica, cuja ação penal é pública e incondicionada”.

Relembre o caso: 

“Você não serve nem pra pano de chão”, teria dito o ministro, depois de agredi-la.

Com machucado no olho direito, Elida contou a polícia civil, que o ferimento teria sido causado pelo marido, que a teria agredido durante um discussão entre o casal, no Setor de Mansões Dom Bosco, onde moram no Lago Sul – Bairro nobre de Brasília.

O caso foi registrado como injuria, violência doméstica e lesão corporal.

Elida, que vive com o magistrado há 10 anos, contou que o marido a proferiu toda sorte de xingamentos e após agredi-la, disse que “não serve nem pra [sic] pano de chão”.

Relatou também que o marido lhe jogou enxaguante bucal. Testemunhas contaram que ouviram o magistrado a chamar de “vagabunda”.

Segundo elas, Admar é uma “pessoa controladora” e usa de “seu status de ministro para subjugar a vítima, que é dona de casa”.

Elida também solicitou medida protetiva – que são medidas cautelares que o juiz poderá conceder à vítima, para proteger sua integridade física. São elas: suspensão do porte de armas do agressor, afastamento do agressor do lar, distanciamento da vítima, dentre outras.

No dia seguinte a denuncia, o ministro Admar deu uma entrevista ao jornal Estado de São Paulo e embora tenha dito que tudo já estava apaziguado, acabou – como sempre – jogando a culpa do acontecido nas costas da mulher.

“Estamos aqui juntos. Foi uma crise de ciúmes da minha mulher, que já se retratou formalmente”. Disse ele ao jornal.

Elida retirou a queixa sob a alegação de ter sido apenas um mal-entendido e que tudo já estava resolvido.

Como a violência doméstica pode correr independente da denúncia da vítima e Admar tem foro por ser ministro, o caso corre no Supremo.