Auler: A direita está “se achando”!

auler

De Marcelo Auler:

Os efeitos do golpe que derrubou a presidente Dilma Rousseff, e entregou a República a uma trupe encalacradas com denúncias criminais, que promove o desmonte das políticas sociais e a venda de ativos importantes do país, fez a chamada direita se achar. Prova disto ocorreu, neste sábado (29/7), no Bourbon Convention Ibirapuera Hotel, em São Paulo, onde realizaram o I Fórum Nacional da Direita e Conservadorismo do Brasil.

Patrocinado pela Fundação Jânio Quadros, ligada ao Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), o fórum foi uma iniciativa de José Levy Fidelix da Cruz. Fundador e presidente do PRTB, ele é um político que concorreu a quase todos os cargos, sem jamais se eleger. Ainda assim, tinha pretensão de provocar uma grande mudança, como anunciava o cartaz prevendo que:

“A partir desta data o Brasil vai ficar mais à direita”.

O encontro, sem dúvida, resulta da maciça campanha contra partidos de esquerda, em especial o PT, promovida a partir da Operação Lava Jato, com o apoio da mídia tradicional. Não, por outro motivo, quem andou no saguão do hotel, logo se convenceu e relatou ao Blog:

“É uma festa, aonde são louvados Moro e Dallagnol. Eles não estão presentes, mas é como se estivessem”.

Quem duvidasse da influência da turma do juiz Sérgio Moro e do procurador Deltan Dallagnol nos organizadores e participantes do encontro bastava rodar pelas bancadas que vendiam livros e verificar o que se oferecia.

Estavam ali: Lava Jato, de Vladimir Netto; A Luta Contra a Corrupção, do próprio Dallagnol; Operação Lava Lula, de Adib Abdouni; A Década Perdida, de Marco Antônio Villa; Ascensão e Queda de Dilma Rousseff, de Jorge Bastos Moreno; Mãos Limpas e Lava Jato, de Rodrigo Chemin; Sérgio Moro, de Joice Hasselmann.Este e outros títulos que endeusam a chamada República de Curitiba, o capitalismo, a direita brasileira e enxovalham petistas e a esquerda.

Não apenas os livros mostravam a influência da Operação Lava Jato nesta tentativa de fazer crescer a direita no país.

Uma tentativa, registre-se, que nesse caso partiu de um partido político que participou das últimas cinco eleições para a Câmara Federal e ao longo de todo este tempo teve representantes eleitos em uma única legislatura – a 54ª (2011-2015).

Essa bancada foi composta por apenas dois deputados federais, um do Rio de Janeiro e outro do Amapá.

O próprio Levy Fidelix, que já tramitou por quatro partidos diferentes – PL (1986/88); PTR (1988/93); PTRB (1993/94) e, finalmente, PRTB (desde 1994) – participou de diversas eleições e nunca conquistou qualquer cargo. Suas votações sempre foram pífias. Disputou para deputado estadual por São Paulo (1986) e conquistou 735 votos; deputado federal (1988), obteve 541 votos; prefeitura da capital paulista (1996) quando recebeu 3.608 votos; governador de São Paulo (1998), atingindo 14.406 sufrágios; novamente a governador (2002) tendo ainda menos votos: 8.654; em 2004, a vereador na Capital quando conquistou apenas 3.382 eleitores; em 2006, em nova tentativa de chegar à Câmara Federal por São Paulo, recebeu somente 5.518 sufrágios.

Por duas vezes concorreu à presidência da República e jamais passou da 7ª colocação: em 2010, teve 57.960 votos; em 2014, o resultado foi um pouco melhor conquistando a confiança de 446 878 eleitores.

Mas há um fator que chama a atenção. Entre 2011 e 2013, mesmo com apenas dois deputados federais, o PRTB recebeu, a título de Fundo Partidário, R$ 4.962.343,83.

Os debates do Fórum deste sábado girariam em torno de temas bem favoráveis ao conservadorismo que tenta se impor na sociedade neste período nebuloso da política brasileira.

Leia mais